
Estranha esta sensação de paz que tenho. Paz que hoje sinto, aliás, que agora sinto. Lá fora faz um friozinho bom, mas aqui dentro do apartamento faz um calor quase chato. A lua brilha e o céu está cheio de estrelas, mas as minhas cortinas estão fechadas e eu não vejo nada. Por outro lado, carros sobem e descem a avenida fazendo um barulho insuportável e em meus ouvidos apenas a voz e a melodia suave de James Blunt. Parece que minha alma decidiu colocar as pernas pro alto e a sensação que tenho é daquele cansaço gostoso depois de uma corrida pesada. É como se eu voasse deitada na minha cama. O mundo não parou: a internet leva e trás milhões de informações, a televisão transmite suas programações, pessoas trabalham, dormem, gritam, choram, silenciam, brigam, namoram, planejam atentados de todos os tipos, e eu, dentro de um casulo, protegida de qualquer ato de terror ou amor. Não quero ele ou ela, não quero aquilo ou aquil'outro, não quero nada. Talvez seja um surto de alguns sentimentos bons que trago comigo ultimamente. Decidiram se manifestar de uma só vez. Apesar de ter um série de coisas que em outra situação, se eu tivesse a oportunidade, eu mudaria; agora, nesse minuto, não mudaria nada. Não é preguiça, é satisfação. Porque, depois de um ano, nove meses e onze dias, a vida nunca me foi tão vazia e perfeita ao mesmo tempo, e eu nunca me bastei tanto quanto agora. Nunca, pelo menos não como nesse exato momento.
(Brasília, 27 de agosto de 2010)

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