sábado, 15 de setembro de 2012

Onde esta geração vai parar?



Ouço constantemente na sala dos professores de uma escola de ensino médio, onde trabalho, a seguinte frase sobre os alunos: eu não sei onde esta geração vai parar. Pois eu sei exatamente onde ela vai parar. No mesmo canto que a minha parou, no mesmo recanto que a sua parou, caro professor perto de aposentar.
É sempre a mesma história. No meu tempo, nós éramos cobrados, tínhamos que estudar e trabalhar, não havia esse canhão de oportunidades para ser aprovado no final do ano e não tinha essa de reprovar. Balela, pura balela.
O discurso apenas se repete. Desde que a sala de aula passou a ser democrática, foram preenchidas por alunos dedicados e alunos espertos o suficiente para saber que há no mundo milhões de coisas mais interessantes pra fazer que passar tardes sentados em frente aos livros tentando entender a tabela periódica ou aquela estrutura sintática... coisa mais chata. Só sendo muito bobo para achar que resolver equações de matemática é mais divertido que papear na internet ou andar de skate com a galera na rua.
E o futuro desses meninos? Como será? Igual ao meu, igual ao seu. A responsabilidade irá bater na porta, a maturidade irá dizer que é hora de acordar pra vida, o que é uma grande ironia, já que eles vivem muito mais intensamente do que nossos prezados adultos que apenas trabalham, comem e dormem.
Cada qual no seu tempo. O aluno engraçadinho também tem sonhos, também vai sentir a necessidade de carregar tijolos pra construir o seu castelo, e assim irá fazer. O aluno aéreo, que mais parece estar no mundo da lua, também deseja um dia criar família e irá procurar emprego para sustentá-la. Se o emprego não paga o suficiente, então buscará formas de se atualizar e ascender profissionalmente, ou não, e ainda assim será útil para a sociedade e poderá viver uma vida tranquila e feliz. Não fui boa aluna, aliás, longe disso, e olha onde estou. Não me arrependo do tempo “perdido”, e muito menos sou uma profissional meia-boca por não ter estudado quando tinha coisas mais legais a serem feitas. Fiz muito bem meu papel de aluna pentelha e agora atuo do outro lado da vida escolar, feliz ironia.

Esperar que o mundo exija que ele corra atrás do seu é perder tempo, poderia estar se preparando desde cedo para se instalar bem no mercado de trabalho. Que nada, tempo é o que eles mais têm, podem se dar ao luxo de “desperdiçar” um, dois, três... quantos anos preciso for. Dedique-se àqueles que estão hoje preocupados com o futuro e não se frustre, já estará exercendo bem o seu papel. Os demais? Deixe-os brincar, papear, dormir, escutar sua musiquinha no fone de ouvido... afinal, eles são jovens.

Solteira na Páscoa



Ouvi uma amiga dizer que fica solteira no Dia dos Namorados sem problemas, mas odeia ficar sem namorado na Páscoa. Pra quem está à espera do tão sonhado chocolate, é hora de correr atrás de um par. Além da solidão nas solteiras de plantão, todos sabemos que chocolate trás outros males como quilinhos indesejáveis, porém, pesquisas recentes mostram que essa delícia pode fazer bem à saúde.
O chocolate pode ser um aliado na hora de não passar a Páscoa sozinha. A guloseima possui substâncias que mantém as células jovens, deixando-nos novas e bonitas por mais tempo. O magnésio do cacau diminui o estresse, inimigo número um dos namoros. O estimulante teobormina agiliza o raciocínio e nos ajuda a parecer mais inteligentes. Além disso, possui serotonina que é responsável pelo bom humor, fundamental na hora de conseguir um parceiro e manter um relacionamento.
Então, se quiser passar a Páscoa acompanhada, o segredo é comer chocolate antes dela. Só não vale esquecer que apenas serão exercidos os benefícios se a substância for consumida sem excesso. Se o desespero para conseguir um namorado for grande, cuidado. O excesso de bombons vai deixar você gorda, cheia de espinhas, deprimida e solteira.

domingo, 12 de junho de 2011

Limparam a ponte.

Trânsito liberado.
Limparam a ponte.

DF enfrenta problemas com entulho.
Higienizaram a ponte.

Rodoviários em greve.
Lavaram a ponte.

Moradores pedem duplicação de via,
9 morreram atropelados.
Purificaram a ponte.

DF tem 2,5 mil moradores de rua.
Mundificaram a ponte.

Faltam 3 mil professores na rede pública.
Expurgaram a ponte.

Problemas com passe livre.
Assearam a ponte.

Mulher morre na fila a espera de atendimento.
Banharam a ponte.

Merenda escolar é péssima.
Aguaram a ponte.


Limparam a ponte.
Refinaram a ponte.
Lamberam a ponte.


(Brasília, 12 de junho de 2011)

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Poemeto feito em um minuto


É tão grande.... tão, tão, tão grande
que é difícil crer que pode crescer ainda mais
mas cresce, cresce infinitamente, cresce sem cessar
quero só ver onde esse amor vai parar

(Brasília, 17 de novembro de 2010)

sexta-feira, 27 de agosto de 2010


Escrevo um poema rápido
sem métrica, sem ritmo, sem nada
pra contar uma ironia.
Ora, que coisa!
Enquanto eu te abraçava e te beijava o rosto
sonhei que eu dormia.


(Brasília, 27 de agosto de 2010)

terça-feira, 17 de agosto de 2010



Estranha esta sensação de paz que tenho. Paz que hoje sinto, aliás, que agora sinto. Lá fora faz um friozinho bom, mas aqui dentro do apartamento faz um calor quase chato. A lua brilha e o céu está cheio de estrelas, mas as minhas cortinas estão fechadas e eu não vejo nada. Por outro lado, carros sobem e descem a avenida fazendo um barulho insuportável e em meus ouvidos apenas a voz e a melodia suave de James Blunt. Parece que minha alma decidiu colocar as pernas pro alto e a sensação que tenho é daquele cansaço gostoso depois de uma corrida pesada. É como se eu voasse deitada na minha cama. O mundo não parou: a internet leva e trás milhões de informações, a televisão transmite suas programações, pessoas trabalham, dormem, gritam, choram, silenciam, brigam, namoram, planejam atentados de todos os tipos, e eu, dentro de um casulo, protegida de qualquer ato de terror ou amor. Não quero ele ou ela, não quero aquilo ou aquil'outro, não quero nada. Talvez seja um surto de alguns sentimentos bons que trago comigo ultimamente. Decidiram se manifestar de uma só vez. Apesar de ter um série de coisas que em outra situação, se eu tivesse a oportunidade, eu mudaria; agora, nesse minuto, não mudaria nada. Não é preguiça, é satisfação. Porque, depois de um ano, nove meses e onze dias, a vida nunca me foi tão vazia e perfeita ao mesmo tempo, e eu nunca me bastei tanto quanto agora. Nunca, pelo menos não como nesse exato momento.

(Brasília, 27 de agosto de 2010)

sábado, 3 de julho de 2010

Ciúme




Tempestade rondou minha morada,
Chuva forte a fim de me molhar.
Ventania enfurecida, que desgraça,
invadiu minha alma com todo seu pesar.

A ira usurpa a minha calma.
Meu ego agora é teu, ciúme.
Feito chama, tu me devoras,
embriaga-me voraz com teu lume.

Falta-me o céu, falta-me chão firme,
falta-me paredes para nelas escorar.
Noite n'alma, puro breu.

Coração hipócrita comete um crime:
Enlaça, algema, querendo se apropriar
daquilo que não é seu.


(Brasília, 03 de julho de 2010)