Ouço
constantemente na sala dos professores de uma escola de ensino médio, onde
trabalho, a seguinte frase sobre os alunos: eu não sei onde esta geração vai
parar. Pois eu sei exatamente onde ela vai parar. No mesmo canto que a minha
parou, no mesmo recanto que a sua parou, caro professor perto de aposentar.
É sempre a
mesma história. No meu tempo, nós éramos cobrados, tínhamos que estudar e
trabalhar, não havia esse canhão de oportunidades para ser aprovado no final do
ano e não tinha essa de reprovar. Balela, pura balela.
O discurso
apenas se repete. Desde que a sala de aula passou a ser democrática, foram
preenchidas por alunos dedicados e alunos espertos o suficiente para saber que
há no mundo milhões de coisas mais interessantes pra fazer que passar tardes
sentados em frente aos livros tentando entender a tabela periódica ou aquela
estrutura sintática... coisa mais chata. Só sendo muito bobo para achar que
resolver equações de matemática é mais divertido que papear na internet ou
andar de skate com a galera na rua.
E o futuro
desses meninos? Como será? Igual ao meu, igual ao seu. A responsabilidade irá
bater na porta, a maturidade irá dizer que é hora de acordar pra vida, o que é
uma grande ironia, já que eles vivem muito mais intensamente do que nossos prezados
adultos que apenas trabalham, comem e dormem.
Cada qual no
seu tempo. O aluno engraçadinho também tem sonhos, também vai sentir a
necessidade de carregar tijolos pra construir o seu castelo, e assim irá fazer.
O aluno aéreo, que mais parece estar no mundo da lua, também deseja um dia
criar família e irá procurar emprego para sustentá-la. Se o emprego não paga o
suficiente, então buscará formas de se atualizar e ascender profissionalmente,
ou não, e ainda assim será útil para a sociedade e poderá viver uma vida
tranquila e feliz. Não fui boa aluna, aliás, longe disso, e olha onde estou.
Não me arrependo do tempo “perdido”, e muito menos sou uma profissional
meia-boca por não ter estudado quando tinha coisas mais legais a serem feitas.
Fiz muito bem meu papel de aluna pentelha e agora atuo do outro lado da vida
escolar, feliz ironia.
Esperar que o
mundo exija que ele corra atrás do seu é perder tempo, poderia estar se preparando desde cedo para se instalar bem no mercado de trabalho. Que nada, tempo
é o que eles mais têm, podem se dar ao luxo de “desperdiçar” um, dois, três... quantos
anos preciso for. Dedique-se àqueles que estão hoje preocupados com o futuro e
não se frustre, já estará exercendo bem o seu papel. Os demais? Deixe-os
brincar, papear, dormir, escutar sua musiquinha no fone de ouvido... afinal,
eles são jovens.


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